Nesta aula vamos estudar que tipos de fusíveis existem e quais as diferenças entre eles. Vamos ainda saber o que é a tensão nominal e como escolher o fusível certo para determinado circuito.

Na última Aula de Electrónica, estudámos o que é um fusível, para que servem e qual a sua utilidade num circuito eléctrico. Hoje vamos aprender um pouco mais sobre os fusíveis, explicando o que é um fusível rápido e um fusível lento, o que é a tensão nominal de um fusível, o que é um porta-fusível e ainda como escolher o fusível correcto para determinado circuito.

 

O que são fusíveis rápidos e fusíveis lentos

Como o próprio nome indica, fusíveis rápidos são os que se fundem com maior rapidez e os fusíveis lentos os que se fundem com menor rapidez, sempre que é ultrapassada a intensidade de corrente do próprio fusível. Desta forma, o tempo que o fusível demora a se fundir não é um tempo pré-definido, já que vai depender do quantidade de intensidade de corrente que passa por eles.

 

Intensidade de corrente e valor nominal dos fusíveis rápidos

  • Se a intensidade de corrente que passa pelo fusível é igual ao valor nominal do fusível, nada acontece ao fusível.
  • Se a intensidade de corrente que passa pelo fusível é 1,5 vezes superior ao valor nominal do fusível, o fusível aquece e demora 1 hora a fundir-se.
  • Se a intensidade de corrente que passa pelo fusível é o dobro do valor nominal do fusível, este funde-se em 2 minutos.
  • Se a intensidade de corrente que passa pelo fusível for 4 vezes o seu valor nominal, este funde-se quase de imediato, em cerca de 0,3 segundos.
  • Se a intensidade de corrente que passa pelo fusível superar 10 vezes o seu valor nominal, este funde-se imediatamente (em 2 centésimos de segundo).

Os fusíveis lentos, como conseguirá deduzir, demoram mais tempo a se fundir que os fusíveis rápidos, não sendo muito importante saber exactamente os valores para cada intensidade de corrente que supera o seu valor.

Tensão nominal do fusível

A tensão nominal do fusível é aquela que este consegue suportar, sem que se produzam uma faísca (arco voltaico ou descarga eléctrica) entre os seus terminais, depois deste se fundir.

Da mesma forma, quando há uma tensão muito elevada entre dois pontos de um circuito e existe pouco isolamento entre eles, pode ser produzido um arco eléctrico entre eles, uma passagem de corrente através das moléculas de ar. Os relâmpagos, por exemplo, são um bom exemplo deste fenómeno, onde há uma corrente eléctrica muito elevada entre as núvens e a terra, ou vice-versa. Esta corrente circula através do ar, e por ser tão elevada, consegue-o fazer em muitas centenas de metros.

Relativamente aos fusíveis, como a distância entre os seus extremos é muito pequena, pode produzir-se um arco eléctrico entre eles, sempre que a tensão eléctrica superar determinado valor e sempre que o fusível está fundido. Uma distância maior entre os seus extremos, fará com que este suporte um valor de tensão superior, sem acontecer um arco eléctrico. A tensão nominal de um fusível é então o valor necessário para se produzir um arco eléctrico.

Regra geral, a tensão nominal dos fusíveis utilizados em electrónica é de 250 Volts, podendo ser utilizados em qualquer dispositivo que tenha uma tensão inferior a este valor, seja de 5 Volts ou de 220 Volts.

 

Porta-fusíveis

Como o nome indica, um porta-fusíveis tem como função alojar os fusíveis, para que estes sejam substituídos facilmente. Os porta-fusíveis mais utilizados são os de tipo pinça e os do tipo rosca, conforme mostramos de seguida.

Nos porta-fusíveis tipo pinça, normalmente soldado nas placas de circuito impresso, o fusível fica preso entre as duas pinças.

Nos porta-fusíveis tipo rosca, o fusível fica alojado dentre de um pequeno recipiente, acessível ao exterior do aparelho, para uma fácil substituição do fusível, caso este se funda.

 

Porta fusíveis tipo pinçaPorta fusíveis tipo rosca

 

 

 

 

 

 

 

Como escolher o fusível adequado

Como já foi dito, em qualquer aparelho que possa construir são utilizados fusíveis com uma tensão nominal de 250 Volts.

Outro factor a ter em conta, é na escolha de um fusível com uma fusão mais lenta ou uma fusão mais rápida, consoante queremos uma protecção mais lenta ou mais rápida do circuito.

 

Quando deve escolher um fusível lento

Por exemplo, se tiver uma lâmpada ligada a uma pilha de 4,5 Volts, vai utilizar um fusível com uma tensão nominal de 250 Volts, como já foi dito. Relativamente à intensidade nominal do fusível, devemos levar em conta que quando a lâmpada está apagada não existe praticamente nenhuma resistência eléctrica e que quando a acende vai se  produzir uma  intensidade de corrente elevada, de mais ou menos 500 mA.  Até esta atingir o máximo de luminosidade, a resistência vai aumentando e consequentemente diminuindo a intensidade de corrente, até cerca de 50mA. Este valor será o valor nominal da lâmpada.

Quando ligar o circuito e se utilizar um fusível de fusão rápida de 50mA, vai-se produzir, como dissemos, uma intensidade de corrente elevada de 500mA no início, o que fará com que o fusível se funda quase de imediato, não dando tempo para que a lâmpada acenda sequer.

Poderá se perguntar porque não utilizar um fusível de intensidade nominal mais elevada? Pela simples razão que desta forma não estaríamos a proteger o circuito de forma adequada. A opção mais correcta neste caso é utilizar um fusível lento, com intensidade nominal superior à da lâmpada, por exemplo, o dobro (100 mA).

 

Quando deve escolher um fusível rápido

Se o aparelho não sofre estas subidas bruscas de intensidade de corrente quando é ligado e se os seus circuitos forem mais sensíveis a uma passagem de corrente superior ao seu valor nominal, o mais correcto será utilizar um fusível rápido, com uma intensidade nominal não superior ao valor máximo de corrente que o circuito suporta.

De um modo geral, o mais usual é usar fusíveis rápidos ou lentos levando em conta a velocidade de protecção que o circuito exige, de intensidade nominal igual à do funcionamento normal do aparelho que pretendemos proteger. Tenha em conta que nem sempre encontrará fusíveis de valor igual ao que pretende proteger, escolhendo o valor normalizado imediatamente a seguir ao valor que pretende. Por exemplo, se quiser proteger um circuito com uma intensidade de corrente de 140 mA, terá que escolher um fusível com um valor normalizado de 160 mA.

 

Consulte outras Aulas de Electrónica anteriores, caso tenha dúvidas com algum dos assuntos aqui tratados.