São muitas as técnicas que foram usadas e são usadas hoje em dia para a reprodução de documentos e para a impressão dos objectos que usamos regularmente. Neste post irei falar das principais técnicas usadas na reprodução gráfica, muitas delas desconhecidas pela maioria das pessoas.

Artes Gráficas – Nome genérico de várias especialidades e procedimentos técnicos que fazem parte da realização e produção de imagens mediante uma forma ou matriz impressora.

  • Três componentes fundamentais para a reprodução gráfica:

- Forma, Matriz ou Tipo: É o molde com as mesmas características visuais que o original;
- Meio: É a tinta ou substância que vai permitir a transferência da tinta da forma ou matriz;
- Suporte: Tudo aquilo onde vai figurar o grafismo, precedente de determinada técnica.

Processos de Reprodução Gráfica:

Os processos de reprodução gráficos são vários e classificam-se ou situam-se em quatro grandes áreas de actividade industrial de impressão, segundo as técnicas das formas ou matrizes impressoras: Relevográfica ou Estereográfica, Planográfica, Ocográfica e Crivográfica ou Permeográfica.

 

Relevografia ou Estereografia

A xilografia, tipografia, zincografia, flexografia e todos os sistemas de gravura em relevo, são alguns dos exemplos que consistem na impressão de uma forma com elementos em relevo nivelados, para transferir ao suporte a tinta que, manual ou mecanicamente, se espalha pela superfície dos componentes da forma.

  • Monótipo – Nome comercial da máquina de composição que funde os caracteres individualmente em linhas (diferentes das linhas do Linótipo que compõem a linha-bloco).
  • Linótipo – Nome comercial de uma máquina de composição através da fundição de linhas inteiras de tipo, num único bloco.

Tipografia TIPOGRAFIA é a técnica através da qual se usam pequenas peças de madeira ou de metal chamadas “tipos móveis”, que são as letras ou símbolos reutilizáveis que vão servir de matriz. A impressão através deste método tem pouca definição. Além disso, a manutenção da matriz não é económicamente viável, pela necessidade de muita mão-de-obra para a realizar. Foi durante muitos séculos a base da reprodução de documentos, onde se agrupavam os símbolos e letras para comporem a matriz dos documentos a reproduzir, apesar de ainda ser usada nos dias de hoje. É uma técnica usada para impressos comerciais, jornais, embalagens, entre outros, não tendo um custo muito elevado.

Maquina de Composição mecânica Linotype ESTEREOTIPIA é o meio mais antigo e mais barato de reproduzir uma chapa tipográfica.

Um molde “papier-maché” ou de plástico é feito de um cliché ou original tipográfico. Esse molde (ou matriz) é enchido com metal fundido para formar uma nova chapa que pode ser montada em madeira para a atingir a altura do tipo, ou fundida em curva para se ajustar às rotativas tipográficas.

Os estereótipos eram muito comuns na impressão de jornais, em que a impressão era realizada a altas velocidades.

Hot Stamp HOT-STAMP é uma técnica similar à Tipografia, já que a matriz é dura e plana e contém o grafismo impresso em alto-relevo. Difere da Tipografia já que esta matriz não recebe tinta, sendo somente aquecido e pressionado sobre uma tira de metal sintético, que é revestido de uma camada muito fina de metal. Quando esta recebe a pressão da matriz quente, solta-se da fita, aderindo à superfície do material a ser impresso.

LETTERSET (ou OFFSET SECO) é a tecnica onde a matriz é um polímero em relevo que envolve um cilindro.

A matriz depois de tintada transfere a tinta para um cilindro intermédio que se chama “Cauchú” e deste é transferida para o suporte.

Letterset

Máquina de flexografia FLEXOGRAFIA é a técnica através da qual se usa uma matriz de material flexível como a borracha ou fotopolímeros, para permitir a impressão em superfície redondas. Nessa matriz são colocados os “tipos” de alto-relevo, também eles flexíveis. A sua grande vantagem é a flexibilidade de imprimir em diferentes superfícies de diferentes durezas, como latas, bolas, copos, etc. As tintas, à base de água ou solvente sintético, secam rapidamente e a elas podem ser adicionadas substâncias afim de se obter mais brilho, mais aderência, mais relevo, etc. É uma forma avançada da tipografia, onde a diferença é a matriz que é mais barata, apesar de não ser compensadora para pequenas tiragens.

FOTOGRAVURA é a forma de impressão, de zinco ou outro metal, gravada por processos foto-mecânicos, em que a imagem a ser impressa é reticulada.

Fotogravura

Xilografia XILOGRAFIA é a técnica através da qual é usada a madeira como a matriz. Ao contrário do que acontece com um carimbo, esta técnica permite que as imagem ou textos sejam reproduzidas sobre determinado suporte, como o papel por exemplo.
A forma ou matriz é entalhada na madeira. Seguidamente passa-se um rolo de borracha embebido em tinta, o qual vai tocar nas partes elevadas do entalhe da madeira. A impressão que vai revelar a figura é realizada em alto relevo, sobre papel ou um pano próprio, que fica impregnado de tinta.

ZINCOGRAFIA é a técnica através da qual se imprimem gravuras a partir de chapas como o zinco ou alumínio. O desenho é realizado com uma tinta especial sobre a superfície em alto-relevo, por meio da reacção ácida das partes não protegidas, que vai transformá-lo numa matriz, pronta para ser impressa.

Exemplo de zinco-gravuras

Planografia

 

A Litografia, o Offset, a Fotografia e outros Sistemas Reprográficos fazem parte desta técnica, que tal como o nome indica, usa uma forma ou matriz plana.

Litografia LITOGRAFIA é a técnica através da qual se imprimiam marcas ou desenhos sobre uma matriz de pedra calcária, com um lápis gorduroso. Usada essencialmente no início do século 19, permitia a impressão de jornais, cartazes, mapas, etc, sobre plástico, madeira, papel e tecido, sobre uma superfície plana. Hoje em dia é usada somente com fins artísticos ou artesanais.

Exemplo de uma colotipia COLOTIPIA é também conhecida como Gelanotipia ou Fototipia. Método de impressão foto-mecânico, semelhante à Litografia. Utiliza uma chapa constituída por uma camada de gelatina não reticulada, em vez de uma retícula de meio-tom para imprimir originais de tom contínuo. A Colotipia é a única forma capaz de reproduzir meios-tons sem o uso de retícula. Produz reproduções extremamente fidedignas, sendo adequada apenas para pequenas tiragens.

OFFSET é a técnica mais usada nos dias de hoje. Aqui não existem relevos, cortes ou incisões sobre a matriz. Através de um método planográfico, as imagens e as partes de não-impressão estão no mesmo plano da matriz, feita de uma fina folha de alumínio.
Na matriz, a imagem é feita para ser repelente à água e receptiva à tinta e as áreas em branco são receptivas à água e repelentes à tinta. Sobre um rolo é colocada a matriz, que ao rodar coloca a matriz em contacto constante com rolos humedecidos em água e tinta. A água adere às areas em branco e não deixa que a tinta se fixe enquanto que a tinta adere às áreas de impressão. A imagem, embebida de tinta, é depois transferida para outro rolo de borracha intermediário (offset), que é depois transferida sobre pressão para o papel.
As vantagens desta técnica, além de poder ser usada numa grande variedade de suportes lisos ou rugosos, são também a grande durabilidade da matriz, com um mínimo de pressão usada. Só é vantajosa para um grande volume de reproduções, dado o preço elevado da matriz (chapas e fotolitos).

Impressora off-set de 4 cores

XEROGRAFIA ou ELECTROGRAFIA é o sistema de impressão Planográfico que usa a electricidade estática para a transferência da imagem. As fotocópias (ou xerox) são o nome comercial desta técnica. Este tipo de impressão foi inventado por volta dos anos sessenta, pelo fundador da Xerox Corporation, Estados Unidos da América.

Funcionamento da máquina fotocopiadoraAs máquinas analógicas iluminam o original com uma forte lâmpada, reflectindo essa imagem, através de espelhos e lentes para um cilindro sensível à luz, que fica carregado positivamente nas partes com as áreas a imprimir. O tonner, carregado negativamente, vai aderir a este cilindro nessas áreas, fazendo a transferência para o papel. Após isto, o papel passa por um rolo quente que faz a fusão do tonner no mesmo. Certas máquinas revestem esse papel com uma fina camada de silicone, dando-lhe mais brilho e durabilidade.
Nas máquinas digitais a leitura das imagens é feita através de laser “CCDs”, que transferem digitalmente a imagem para o cilindro. Têm ainda a grande vantagem de poder ser ligadas a computadores, como se de uma impressora se tratasse, reduzindo a perda de qualidade de imagem vinda da leitura do original – Impressão Digital. Estas novas máquinas têm várias funcionalidades como o frente e verso automático, agrafagem, furação, reduções e ampliações, negativos, sendo assim muito mais rápidas e inteligentes.
O custo de impressão é sempre o mesmo, para qualquer quantidade, sendo por isso uma mais valia em centros de atendimento ao cliente, empresas, escritórios, etc.

Stencil caseiro DUPLICAÇÃO STENCIL foi inventada no início do século e realizava-se manualmente ou com o auxílio de uma máquina de escrever, uma matriz de papel impermeável, com pequenos furos para passar a tinta, quase sempre à base de álcool. A matriz era colocada num cilindro perfurado e cheio de tinta. Ao ser rodado, a força centrífuga forçava a tinta a sair pelos furos, imprimindo directamente no papel. O custo era bastante reduzido, embora a impressão tivesse fraca qualidade e todo o processo bastante trabalhoso.

DUPLICAÇÃO DIGITAL é a técnica igual à duplicação “stencil”, mas mais avançada tecnologicamente. Um digitalizador lê o original e grava uma matriz em papel especial, que se fixa automaticamente num cilindro onde a tinta é bombeada constante e mecanicamente, imprimindo depois no papel. A posição, qualidade de imagem, fluxo de tinta e a velocidade de impressão são agora controladas por circuitos. Este tipo de impressão é usada em panfletos, impressos ou em qualquer outro suporte que não exija meios-tons. Nesta técnica o custo é bastante reduzido também, mas com uma muito maior qualidade e rapidez.

Funcionamento do Duplicador Digital

Holografia HOLOGRAFIA é, tal como a fotografia convencional, uma técnica para registar determinada imagem num filme. As fontes de luz usadas na fotografia emitem radiações de diferentes comprimentos de onda. Contrariamente, a luz laser usada na Holografia difunde-se em ondas paralelas e igualmente espaçadas, ou seja, têm o mesmo comprimento de onda e frequência. Para captar a dimensão de profundidade, o filme do holograma regista as ondas emitidas por um laser, que é dividido em duas partes: um feixe é reflectido pelo objecto antes de atingir o filme e outro vai directamente para o filme, para servir de referência. Quando os dois feixes de luz se cruzam, as ondas interferem umas com as outras. Onde as cristas de onda se encontram forma-se luz mais intensa, onde uma crista de um feixe se encontra, o intervalo de onda do outro forma uma região escura. É por isso que o filme depois de revelado não mostra uma imagem mas sim um padrão de faixas ou anéis escuros e claros. Para ver a imagem no filme usa-se o mesmo laser com que se gravou o objecto. Atrás da chapa fotográfica formar-se-á então uma imagem que poderá ser vista de vários ângulos como se fosse tridimensional.

Copias Heliograficas HELIOGRAFIA é o processo de cópia de contacto, em cor azul, feita em papel heliográfico, normalmente usada como prova para verificar a necessidade de emendas nas montagens finais. A máquina é constituída por lâmpadas ultra-violetas que vão queimar o papel fotossensível e originar o desenho copiado. Está cada vez mais em desuso e é uma técnica já com alguns anos. Além da velocidade, que não é muita, tem a grande desvantagem dos odores libertados pela máquina, vindos do amoníaco, além das lâmpadas ultra-violetas.

OCOGRAFIA OU OCOGRÁFICA


A Gravura, a Calcografia ou Gravuras de cobre com todas as suas variantes artísticas até à técnica de Rotogravura, onde os elementos de impressão são encavados e onde a tinta não é espalhada mas sim depositada nos sulcos e alvéolos da trama de gravação, em quantidade proporcional à sua profundidade, de acordo com os valores de tom a reproduzir.

 

Rotogravura ROTOGRAVURA é a técnica onde são usados suportes de baixo relevo para imprimir imagens de maior complexidade, com ou sem cor. A matriz é constituída por um único “tipo”, feito à mão, obtendo-se uma chapa ou um cilindro com os desenhos feitos em áreas contínuas ou então divididas em milhares de pontos individuais, “esculpidos” um a um, formando assim uma imagem negativa em relação à imagem que se pretende reproduzir. Usa-se chapas quando se pretende reproduzir em folhas soltas ou então rolos quando se pretende fazer a reprodução em máquinas de cilindros. A matriz é preenchida de tinta e uma lâmina super precisa retira a tinta que está em excesso, ficando tinta apenas nos pontos de baixo relevo. A tinta é assim transferida directamente para o papel, através da pressão da matriz sobre este. Dado o custo elevado da matriz, é necessária uma quantidade mínima bastante elevada, para tornar este processo viável. O seu uso é essencialmente em superfícies flexíveis, como rótulos, etiquetas, etc.

TAMPOGRAFIA é uma técnica em que se usa uma matriz de baixo relevo. Neste sistema indirecto de impressão, a imagem é transferida da matriz para o suporte por uma peça chamada tampão, feita de silicone. Este pode ter várias formas e como é flexível permite impressões em superfícies redondas, côncavas, convexas, em escada, etc. É muito usada para a impressão em objecto de três dimensões, como brinquedos, electrodomésticos, relógios, isqueiros, canetas, etc.

Máquina de Tampografia

Calcografia CALCOGRAFIA é um sistema de impressão por ranhuras. O suporte é realizado sobre uma folha de cobre ou de zinco, com uma agulha de aço, muito afiada, usada como se de um lápis se tratasse. Depois da gravação da imagem pretendida, sobre a placa de zinco, esta é coberta com uma camada fina de cera, afim de manter a imagem. As partes a imprimir são descobertas e banhadas numa imersão de três partes de água e uma parte de ácido nítrico. A decapagem vai corroer as partes que ficaram desprotegidas. Após a limpeza da placa, esta é colocada na máquina onde vai ser realizada a impressão.

CRIVOGRAFIA OU PERMEOGRAFIA

A serigrafia ou silk-screen, são exemplos onde as reproduções se obtém directamente, através da máscara de uma grelha (crivo), de tecido muito fino de seda ou de nylon. É o processo mais versátil para qualquer tipo de suporte.

Existem vários processos neste tipo de reprodução: os processos electroestáticos e os processamentos electrónicos, os processos electromagnéticos e a laser, bem como os mais próximos da cibernética (transmissões electrónicas por computador).

 

SERIGRAFIA é o processo de impressão em que a matriz é um tecido esticado num caixilho (quadro). O tecido é impermeabilizado nas áreas a não imprimir. A impressão faz-se pela impressão de uma raclete, permitindo assim, que a tinta passe através das zonas abertas, do tecido para o suporte. É um sistema bastante versátil pois adapta-se a práticamente todos os tipos de suporte.

Serigrafia

Máquina de Silk Screen SILK-SCREEN é a técnica onde a matriz (ou forma) é construída de um material com pequenos poros ou com furos muito finos, como são o exemplo das telas de nylon ou aço inox, tudo isto montado numa moldura rígida. Através de um processo mecânico ou de sensibilização à luz, as áreas a não imprimir têm os tais furos tapados e nas áreas a imprimir esses furos estão descobertos. A impressão é assim realizada colocando o material a imprimir debaixo da matriz, forçando assim, a passagem da tinta pelos pequenos furos, com um rolo especial de borracha. Esta matriz é muito dispendiosa mas tem a vantagem de poder ser usada muitas vezes. A grande vantagem desta técnica é a possibilidade de impressão em muitos materiais diferentes como madeira, vidro, roupa, cartões, em qualquer tamanho e em variadas cores. O custo é, logicamente, muito elevado para pequenas tiragens.